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           Nesta seção escolhemos um tema polêmico e publicamos a posição de Milton Temer e a de um qualificado defensor da posição contrária.

           Você também tem espaço na polêmica. Ao final deixe sua opinião.


    O acordo com o FMI em debate


    O Governo da Dívida

    Milton Temer                          


             Sobre o último acordo do governo Fernando Henrique Cardoso com o Fundo Monetário Internacional, pouco vale discutir agora se ele foi bom ou ruim. Já devemos estar, todos, cansados do bombardeio propagandístico com que a equipe econômica nos vem brindando diariamente, na tarefa árdua de provar que o resultado dessa derradeira visita à agiotagem internacional teria sido mais uma afirmação de "prestígio" do país.

             O que interessa, agora, é compreender por que, depois de sete anos de loas permanentes ao modelo que teria devolvido a "estabilidade" à nossa moeda, a administração tucano-pefelista teve que recorrer a mais um "empréstimo" do FMI.

             Para gerar uma "blindagem" contra o efeito Argentina? A mesma Argentina que, no governo Menem (em prisão domiciliar), juntamente com o México de Salinas (foragido da Justiça), e o Peru de Fujimori (nas mesmas condições do anterior), foi tão louvada e citada pelos nossos apóstolos da política econômica "antiinflacionária" e de abertura de mercados que o FMI impôs aos chamados países emergentes?

             Certamente que não. Essa primeira hipótese alardeada não é mais consensual nem entre os mais fanáticos defensores do modelo. O valor que os tecnocratas brasileiros conseguiram sacar de nossa própria quota de participação no Fundo não dá nem para a saída caso afunde o telhado de nossos vizinhos. Seríamos, portanto, tão vulneráveis quanto eles.

             Preferimos ficar, então, com a versão mais lógica. Fomos ao FMI para buscar analgésico contra as seqüelas dos juros e serviços de uma dívida pública que, nos sete anos deste governo, se elevou, sem nenhum retorno social significativo, de R$ 60 bilhões a R$ 560 bilhões (com previsão de superar R$ 700 bi, ao fim do mandato). Dívida incessantemente crescente, a despeito de já termos entregue mais de 30% do nosso sistema financeiro a bancos internacionais de segunda linha (que geram escandalosos lucros e dividendos em reais, exportados em dólares, sem pagar impostos, para suas matrizes no exterior). E de já termos privatizado algo em torno de 76% do patrimônio público que a nação possuía no momento em que os tucanos ascenderam ao poder.

             Isso é o real. O resto, deixo por conta da decisão soberana do leitor. Ou bem é fogo de barragem. para proteger a retirada, ou bem são fogos de artifício para desviar a atenção do fracasso.

      MILTON TEMER é deputado federal pelo PT-RJ.

      (publicado em "O Globo", no dia 11/08/2001)


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    Transparência

    Editorial de "O Globo"                          


             Uma das maiores qualidades da atual política econômica é a total transparência. Nesta última semana, em longa entrevista, os ministros Pedro Malan (Fazenda) e Martus Tavares (Planejamento), além do presidente do Banco Central, Armínio Fraga, estiveram à disposição da imprensa para explicar os detalhes do acordo que o governo está renovando com o Fundo Monetário Internacional. Trata-se de uma mudança considerável, pois há alguns anos a simples menção de que o Brasil poderia recorrer aos préstimos do FMI seria suficiente para que nossos governantes se encastelassem.

             A transparência significa que a equipe econômica não tem o que esconder nesse relacionamento com o Fundo. A conjuntura mundial tem sido adversa, e o Brasil precisa tomar algumas precauções para não ser arrastado por uma crise cambial cujas conseqüências seriam muito negativas para a economia do país.

             Assim, é natural que o governo desde já procure o anteparo do Fundo para assegurar, por antecipação, recursos que podem vir a ser necessários para o equilíbrio das contas externas, caso ocorra forte retração nos mercados financeiros internacionais. O ano eleitoral sempre adiciona um grau de incerteza nesses mercados já marcados pela turbulência. Não foi por acaso que uma agência classificadora de risco anunciou ter posto o Brasil em perspectiva negativa para o ano que vem, o que dá bem uma idéia do clima que poderia ser criado se o governo não tivesse se antecipado às expectativas.

             O novo acordo com o FMI prevê maior esforço fiscal, com ampliação do superávit primário este ano e em 2002. Mas isso teria de ser mesmo feito, com ou sem FMI. O ajuste fiscal possibilitou ao Brasil atravessar todos os momentos difíceis que surgiram desde setembro de 1998. Como o quadro que se tem pela frente ainda é adverso, o ajuste fiscal precisa ser reforçado.

             A alternativa seria uma alta nas taxas de juros - instrumento do qual o país abusou até 1998, e cujos reflexos negativos ainda serão sentidos por anos a fio.

      (publicado em "O Globo", no dia 11/08/2001)

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